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Catarina de Siena: exemplo de mulher

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Catarina de Siena: exemplo de mulher

Em tempos de feminismos radicais, muitos deles desprovidos de qualquer modelo positivo de feminilidade, padrão moral ou discurso filosófico sólido, gostaria de apresentar uma personagem feminina que mudou a história de seu tempo: Catarina de Siena.

Caterina Benencasa nasceu em 25 de março de 1357 na cidade italiana de Siena. Filha de Lapa Piacenti e Jacomo Benencasa, cresceu em uma família numerosa, porém arrasada pela peste negra que assolava seu tempo, a qual também levou a maior parte de seus irmãos. Desde criança, se destacava das demais por trazer alegria aos corações de quem estava perto dela, sendo levada constantemente para casa de seus vizinhos, trazendo felicidade a eles; daí ser apelidada de “Eufrosina” (nome derivado da palavra grega “alegria”).

Catarina foi criada totalmente dedicada a Deus. Com cinco anos de idade começou a ter suas primeiras experiências místicas com Deus, fazendo com que, aonde estivesse, a tristeza das pessoas fosse embora, problemas e rixas fossem esquecidos e uma inexplicável paz inundasse a alma de seus próximos. Com seis anos teve uma grandiosa revelação do céu, vendo Jesus assentado em um glorioso trono, que olhava para ela, tocava em seu ombro e, com um leve sorriso, a abençoava comissionando para um grande futuro.

Aos dezesseis anos, após a morte de sua irmã, foi pressionada a casar com o viúvo dela, como costume da época. Porém, começou uma greve de fome, até que mudassem de ideia. Catarina havia jurado, desde os sete anos de idade, servir somente a Cristo e jamais pertencer a outro homem. Após isso, pegou uma tesoura e cortou seus longos cabelos, protestando, assim, contra a vontade da mãe que ela ficasse bonita para atrair um bom marido.

Em seus esforços, conseguiu não apenas que ela continuasse solteira, mas também que não fosse enclausurada como uma freira, e seguisse uma vida em liberdade fora do claustro. Após isso, conheceu o trabalho dos frades dominicanos e, encantada com o serviço dos mesmos, se juntou a ordem dos terceiros dominicanos. Ali aprendeu a ler e começou a desenvolver seus estudos teológicos, além de se dedicar a vida de silêncio e oração em isolamento.

Suas visões e experiências foram se tornando cada vez mais fortes até que, com cerca de 20 anos, teve a maior de suas experiências espirituais, na qual narrou sua união em núpcias místicas com Cristo. Ali, Cristo mandara que ela não vivesse no isolamento, mas que pregasse o Evangelho entre o povo. Assim, voltou para sua casa e iniciou uma grande atividade entre os pobres e famintos de Siena, dando-lhes de comer e de vestir. Além disso, muitos começaram a ser curados através de sua oração e afirmavam que estar em sua presença já lhes trazia profunda paz espiritual.

A outra parte de seu ministério foi através do ensino da correta vida espiritual, atraindo grande e importante grupo de discípulos, entre homens e mulheres, além de sacerdotes, monges e nobres que lhe excediam em idade e posição social. Catarina não correu o risco de ser considerada herege, pois aprendeu o que havia de melhor na Teologia da época, através dos dominicanos.

Após isso, a partir de 1374, começou a última etapa de seu ministério: começou a viajar pelas cidades italianas pregando uma reforma na Igreja, sobretudo do clero, exortando o povo que o avivamento viria através de arrependimento e amor total a Deus. Ali, sua pregação alcançou também o nível político, pois começou a exigir que o papa retornasse para sua sede patriarcal em Roma.

Era a época do chamado “Cativeiro Babilônico da Igreja”, na qual os papas haviam abandonado Roma para viver sob o luxo e poder do rei da França, em Avinhão. A imoralidade e luxúria reinavam no papado, que liderava guerras e tramas espúrias para manter e expandir seu poderio político. Catarina, então, pregou em várias cidades, nas quais uma multidão se aglomerava para ouvi-la e receber cura e paz. Catarina também passou a escrever cartas ao papa e a poderosos ordenando-os, pela vontade de Deus, que o papa voltasse a Roma.

Ela conseguiu seu intento em 17 de janeiro de 1377, quando o papa Gregório XI, enfim entrou em Roma, dando fim ao período do “Cativeiro Babilônico”. A partir de então, se tornou uma embaixadora da paz da Itália, sendo enviada, muitas vezes, para o meio de conflitos e guerras entre feudos para negociar a paz. Catarina morreu três anos depois disso, aos 33 anos de idade, após um derrame. Em 1970 foi considerada “doutora da Igreja”. Ela, juntamente com Teresa d’Ávila, Teresa de Lisieux e Hildegarda de Bingen são as únicas mulheres que receberam esse honroso título.

Logo, vemos um exemplo de mulher que lutou contra a sociedade machista de sua época, ao mesmo tempo que se submeteu a uma vida de profunda busca moral e espiritual. Mostrou a todos que as mulheres tinham um lugar na Teologia e também na Política, em época impensável e perigosa para isso acontecer. Submissa à vontade de Cristo mudou a sociedade de sua época, trouxe justiça, paz e vida espiritual sadia para aqueles povos.

Prof. Lucas Gesta – Filigranas de História da Igreja

Bibliografia:

RAIMUNDO DE CAPUA. Vida de Santa Catarina de Siena. [consultei uma versão em inglês: RAYMOND OF CAPUA. The life of St. Catherine of Siena. Dublin: James Duffy and CO., 1901].

GONZÁLEZ, J. L. História ilustrada do cristianismo. A era dos mártires até a era dos sonhos frustrados. 2. ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2011.

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