Início História da Igreja A datação Antes e Depois de Cristo a.C. d.C.

A datação Antes e Depois de Cristo a.C. d.C.

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Você sabe como foi criada a divisão da História entre Antes de Cristo e Depois de Cristo (a.C. d.C)?

Por volta do ano 530, um monge cristão chamado Dionísio, o Pequeno, propôs um novo sistema de datação para a História Geral, que, mais tarde, viria a ser o modelo adotado em todo o Ocidente e, posteriormente, em todo o mundo. Esse modelo consistia em um sistema universal de datação que começava a contar a partir do ano que, segundo seus cálculos, nascera Jesus Cristo. Antes disso, cada historiador datava os eventos de acordo com o governo e a vida dos monarcas e principais personagens de seu tempo, ou ainda, a partir de algum evento ou catástrofe natural de amplas proporções. Os espaços mais longos de tempo foram medidos acrescentando os reinados destes soberanos em série, ou quando as narrativas ultrapassavam as fronteiras culturais fazia-se a correlação de regimes que foram contemporâneos uns dos outros.

Dionísio criou uma datação teológica baseada no nascimento da figura mais importante da História, para ele: o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Os anos antes de Cristo eram contados de forma inversa de modo que toda a história da humanidade convergisse para o ano calculado como o do nascimento de Cristo. Ou seja, todo o passado e todo o futuro recebem em Cristo sua orientação própria.

A partir de então, o cristianismo que já havia entrado na História, agora vai transformar completamente a própria forma de se ver a História – de interpretar o sentido da ação humana no Tempo – e fará com que todo o seu significado se volte completamente à figura do Cristo histórico. As grandes civilizações posteriores irão aceitar essa datação e, então, a “História” será “da” Igreja, que se apropriou desta.

Este sistema de datação espalhou-se por todo Ocidente e, durante o desenvolvimento milenar da cultura europeia, a influência cultural deste continente fez com que a datação atingisse todo o mundo (e seus historiadores).

A História humana se torna a História da Salvação: A Igreja faz da História sua aliada e, através dessa, mostra seu desenvolvimento, bem como sua esperança escatológica para o futuro. A História humana será a História da Salvação. Ela ganha um significado, não é mais cíclica ou eterna, mas caminha para um termo, um futuro escatológico.

Prof. Lucas Gesta – Filigranas de História da Igreja

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