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Savonarola e a Pré-Reforma

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Jerônimo Savonarola (1452-1489) foi um frade dominicano que se destacou por sua erudição bíblica, santidade e pregações na Itália pré-Reforma. Ao começar a expor as Escrituras no convento de São Marcos, em Florença, começou a atrair multidões. Seus sermões que versavam sobre Apocalipse atacavam a corrupção do clero e profetizavam que a igreja da Europa passaria por uma grande tribulação antes de ser restaurada; ele teve visões nas quais a Europa era lavada pelo sangue de Jesus e sua Igreja seria restaurada.

Devido à condição política das guerras entre a França e os Médici, acabou à frente do governo de Florença. Ali, através do seu púlpito, instituiu uma série de reformas à cidade, mantendo o regime republicano, dando emprego aos pobres, derretendo o ouro e a prata das Igrejas e das posses dos ricos para alimentar os famintos e desabrigados.

Ainda que fosse contra o Renascimento por causa das licenciosidades e sincretismos pagãos, em seu convento começou a se estudar as Escrituras em latim, grego, hebraico, árabe e caldeu.

Savonarola radicalizou ainda mais a reforma na cidade quando instituiu a “queima de vaidades”: no centro da praça principal da cidade, construía-se uma pirâmide composta de roupas, perucas, joias, objetos luxuosos dos ricos etc., os quais eram queimados no fogo.

Logo, além da ira dos Médici, Savonarola atraiu a ira da população rica e burguesa da cidade, a além do temor que essa reforma se espalhasse para outras regiões italianas. Na época, o papa era Alexandre VI, papa Bórgia, um dos mais corruptos de toda a História do pontificado. Alexandre tentou de todas as formas silenciá-lo, recorrendo à excomunhão e o voto de silêncio. Chegou até a oferecer o cardinalato a Savonarola, ao passo que este respondeu: “Não quero outro chapéu que um vermelho: vermelho de sangue”.

O papa conseguiu o cerco da cidade de Florença e o seu interdito, proibindo que se chegasse comida e víveres à cidade, bem como se comunicasse em comércio com qualquer outra. Isto levou à fome e miséria na cidade, e fez a população tirar o apoio a Savonarola. Por fim, a população cedeu à vontade do papa, e levou-o a julgamento, condenando por “heresia” e “cisma”, mesmo sem haver prova de quais heresias e nem que ele teria criado algum cisma.

Savonarola foi enforcado e depois queimado. Suas cinzas foram lançados no rio Arno, para que seus restos mortais não se transformassem em relíquias para os que continuaram seguindo. No entanto, sua memória permaneceu, sua pregação pedindo reforma e sua profecia de restauração da Igreja encontrou muitos corações ávidos por isso, às vésperas da Reforma Protestante.

Prof. Lucas Gesta – Filigranas de História da Igreja

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